Almática? Talvez quase nada.

segunda-feira, março 27, 2017


Parece que hoje em dia há uma super desvalorização dos sentimentos, da sinceridade, da fragilidade.
Talvez seja um resquício da época das cavernas, em que o mais forte sobrevive, o mais forte consegue a melhor família, o mais forte é escolhido para liderar seu bando.
Mas por quê? Porque a tristeza é tão difícil de ser mostrada? Por que é tão devastador deixar sua fragilidade à vista de todos?
Todos querem ser exemplo de paz e felicidade, mas ela é tão passageira, às vezes. E outra coisa, a felicidade você pode sentir com bastante intensidade em uma área da sua vida, e não necessariamente aquele sentimento avassalador irá transformar as outras áreas da sua vida em áreas "felizes".
Mas a tristeza? Ah, ela não. Ela tem aquele jeitinho nada sutil de tomar conta do seu coração e mente, de forma que tudo que você faz tem ela como pano de fundo. As coisas simplesmente vão perdendo a cor aos poucos, e não só na área diretamente afetada, mas aquela onda preto e branca começa como uma pequena marola e gradativamente se torna uma tsunami que inunda todos os seus pensamentos e atitudes.
Mas a felicidade vende bem. O sorriso é o cartão de visitas. Pessoas alegres são mais bonitas. O importante é ser feliz. Podemos dizer então que a felicidade se torna um dos grandes objetivos do ser humano, o grande final da vida, alcançar aquele estado maravilhoso de "sou feliz".
Mas só sabe o que é o escuro quem já viu a luz. E só sabe apreciar o caminho feliz quem topa com as pedras no meio do caminho e não simplesmente finge que não aconteceu, mas aprender com a dor e passa a prestar mais atenção no caminho. Isso porque, pasme, a felicidade é o caminho, e não o objetivo. Mas quem pega qualquer estrada, não sai avançando os sinais e voando por cima dos quebra-molas como se não existissem. Às vezes, você tem que parar um pouco a caminhada, ou então, apenas diminuir a velocidade, para voltar a seguir no caminho.
O problema é que, assim como nas ruas existem as "paradas obrigatórias" que a maioria não para, na vida as pessoas tem essa necessidade, esse impulso de avançar as placas de "PARE" que surgem. Se for necessário para você parar, pare! Não pare para sempre, mas pare, tome seu tempo e simplesmente pare.
E não é vergonha nenhuma se as pessoas virem que você parou. Mostra que você é humano, e, ainda mais do que isso, mostra que você quer aprender. Mostra que você não é estúpido o suficiente para achar que se você fechar os olhos, a placa de pare vai parar de existir. Você parar significa que está tomando um tempo para se preparar e andar por um caminho ainda melhor. Significa que você quer crescer, quer se tornar uma pessoa melhorada.
E para mim, não é vergonha desnudar a alma. faz ficar mais resistente. Não é vergonha mostrar a fraqueza, pois só assim será possível avaliar se houve melhora ou não. Só depois de descobrir onde está a parte quebrada do muro que ele pode ser consertado.
Então, aqui está o muro quebrado.
Aqui está a alma desnuda.
Aqui está o grito escrito.
Aqui está a parte escura.
Aqui é onde começa o processo de enxergar a luz.
O processo de melhora.
Aqui é onde começa o aprendizado.
Aqui, está o desejo de se libertar.
Aqui, onde a felicidade não está na vitrine, e sim, duas amigas distantes, que nem sempre a acompanham:
A sinceridade e a realidade.


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