Sobre insegurança (não é leve)

terça-feira, abril 11, 2017

Eu nunca fui uma pessoa das mais seguras. Isso para não mencionar que era totalmente insegura. Me apoiava unicamente na facilidade de aprender, e no rápido raciocínio lógico, que me rendiam boas notas na escola e na faculdade, porque era uma das poucas qualidades que enxergava em mim, e também, porque achava bem fácil fazer o que fazia. Era só ler, fazer as provas e pronto, vinham as notas boas.
Porém, relacionamentos são baseados em troca, por mais que digam não. Você oferece o que tem de bom e ruim e recebe o que há de bom e ruim sobre a outra pessoa em troca. Porém, inteligência não é uma moeda de troca muito interessante se você busca uma amizade. Pelo menos não uma amizade sincera, com pessoas que queiram mais do que fazer provas em dupla. E quando se tem um senso tão pequeno de si mesmo, que enxerga apenas inteligência como qualidade, a insegurança cresce, e cresce muito.
Como ser seguro emocionalmente quando se tem consciência de que está envolvido em várias relações de troca, e que você não tem nada que considere de valor para trocar? O Q.I pode até se desenvolver com o conhecimento ao longo do tempo, mas em contrapartida o quociente emocional fica estagnado, ou então, na pior e mais comum das hipóteses, se desenvolve da forma errada, criando uma autoimagem cada dia mais negativa.

Então, essa insegurança, na adolescência principalmente, passa a afetar de forma monstruosa a sua visão de si mesmo e do mundo. Você precisa das pessoas, das amizades e relacionamentos, mas não tem nada de bom para oferecer, certo? Só te resta uma saída então, nessa visão tão cega que você tem: oferecer aquilo que as pessoas necessitarem. Você não tem vontade de passar cola e nem se sente a vontade com isso, mas é o que sua amizade quer de você, então não tem outro jeito. Você não quer ficar com aquela pessoa, mas ela demonstrou interesse em você, então, não tem outro jeito. Você não quer desobedecer nenhuma regra, mas as suas amizades querem que você faça, então, não tem outro jeito. E a sua mente passa então a querer fazer aquilo que as outras pessoas pedem de você, mesmo que isso viole seus princípios, seus valores, você.
Chega um ponto onde quase todos seus relacionamentos são destrutivos. E muitas vezes você está próximo de pessoas boas, que querem o seu bem, mas que não fazem ideia do que estão te causando. O poder destrutivo desses relacionamentos não são mais elas, é você. Você e seu inconsciente limitado que restringiu seu valor à coisas que você não gosta de fazer mas faz, situações pelas quais não gosta de se submeter, mas se submete. Comentários que não se sente a vontade fazendo, mas, como já disse, não tem outro jeito. Você mesmo passa a se destruir, se perdendo no seu próprio caminho de construção de personalidade, valores e caráter, que ficam em último plano, na sua mente restrita a "não tem outro jeito".

Chega então um dia em que você se percebe olhando para alguém que enxerga seu valor além daquilo que você tem a oferecer. Porque não tem nada que você possa oferecer a essa pessoa que sirva como garantia do relacionamento de vocês. É nessa hora que você entra em colapso. A decisão de fazer, escolher, se submeter a coisas que te violam mas que te trazem o benefício da falsa segurança passa a ser comum, até fácil. Mas então você se vê em uma relação onde você pode unicamente ser você.

Mas quem é você?  

Quem é você no meio de todos esses padrões de comportamento mal ajustados que desenvolveu? Quais são seus reais princípios, o que você gosta de verdade? Sem seguir orientações ou ideias alheias? Quem é você na forma mais simples dessa pergunta?
E esse alguém te coloca em frente a um espelho, e te faz enxergar que há muito mais sobre você mesmo do que um dia imaginou. Que você para ele é linda, especial e admirável, nas próprias palavras dele. E ele te transborda de amor, não porque você merece (porque você simplesmente não merece esse amor), mas simplesmente porque ele te criou, e você é dele, e ele pode ser seu. E isso é tudo que importa agora. Jesus é tudo que importa.

E é diante desse espelho que você percebe que é muito mais do que pensava, mas que ao mesmo tempo não é nada, porque ele é tudo em você. E você não quer nada além de mais e mais desse amor que te preenche e tira de você o peso de agradar os outros, ao passo em que te dá tanta liberdade para fazer o que quiser, que você não quer fazer nada que não o agrade. Então não há mais medo, porque simplesmente não faz sentido sentir medo mais. Não existem mais padrões, porque agora você vive com e para aquele que é loucura para o mundo. Não existe mais insegurança, porque você está seguro sob as asas daquele que é a única esperança dessa vida.
E falando em asas, isso é o que ele mais te dá. Jesus te liberta de todas as suas correntes, tudo que te pesava e te impedia de crescer, e no lugar delas te dá asas, para você poder voar para onde quiser.

Mas eu simplesmente não tenho outro lugar pra ir Jesus, outro lugar para voar, a não ser na sua direção.


(E se você está vivendo como meu antigo eu, saiba que minha nova vida pode ser a sua também.)









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