Sobre padrões
segunda-feira, novembro 16, 2020Outro dia estava eu em casa assistindo Netflix aleatoriamente, algo que amo fazer nas minhas folgas. Mas, como boa pessoa do pensamento acelerado que sou, não consigo observar certas cenas e situações sem ter pensamentos minimamente reflexivos sobre o que se passa na tela.
No caso, o que aconteceu no filme que estava vendo (que não me lembro sequer o nome, de tão aleatório que era), foi a fatídica cena do homem pedir a mulher em casamento, e a moça, como sempre, se surpreendeu e aceitou, mas juntamente com o "sim" disse o seguinte: "venho sonhando com isso desde que sou criança!".
Essa cena é tão comum, na vida real e na arte, que talvez o que eu vá falar aqui venha a soar estranho ou incoerente até, talvez. Contudo, não consegui evitar esse pensamento de me acometer.
Por qual motivo nós, mulheres, temos que ficar esperando o pedido de namoro, esperando o pedido de casamento? De verdade, isso nunca me veio e nunca me incomodou, mas assistir àquela cena, de verdade, me levou a fazer esse questionamento.
A sensação que me deu no momento foi a de que nós mulheres somos como sabores de sorvete, em que o cliente vem, prova um, prova outro, até que escolhe um sabor e monta seu sorvete. Ou como peças de roupa em lojas de departamento, em que o cliente escolhe várias, de cores e tamanhos diferentes, e ao sair do provador devolve ao funcionário aquelas que não vai usar e leva aquela que lhe caiu melhor. Somos tratadas como itens de luxo em uma prateleira, em que o homem olha, olha, testa alguns, até que escolhe e fala: vou levar essa. E nós temos que ficar submissas à essa escolha "pedir em namoro", "pedir em casamento".
Talvez o meu pensamento seja simplesmente reflexo de uma fase que estou passando, na qual não estou nem cogitando me relacionar com ninguém, e essa possível frieza tenha me feito enxergar as coisas dessa forma. Mas não entendo o porque de nós mulheres temos que ficar "esperando o cara se decidir". Também não estou dizendo que somos nós é que devemos fazer os pedidos, sejam de namoro ou de casamento. Não estou querendo fazer uma simples "transferência de responsabilidade" entre os gêneros. O que quero dizer é que esse padrão de relacionamento amoroso está um pouco distorcido.
Já tinha um pouco de dificuldade de entender, e cada dia que passa essa dificuldade aumenta, os relacionamentos rasos, rápido e superficiais que há hoje. O comportamento irresponsável e leviano que as pessoas tem umas com as outras. Nunca me fez sentido, e creio que continuará não fazendo, me encontrar com uma pessoa quatro, cinco vezes, sendo que não pretendo levar aquele relacionamento a sério, ou estabelecer a partir dele algum outro tipo de compromisso. Seja pelo momento que estou vivendo, seja pelo simples fato de não querer ninguém ou de não achar que tenho compatibilidade com aquela pessoa. Não entendo o fato de alguém já saber que não quer compromisso com a outra pessoa mas continuar a procurando e a mantendo perto apenas por diversão e para se satisfazer.
Enquanto estão sendo satisfeitos, tudo bem, mas quando o prazer da companhia diminuir, tchau e bença. Sendo que desde o início uma das partes já sabia que sua pretensão naquele envolvimento não era estabelecer vínculos mais permanentes. Contudo, muitas vezes essa pessoa não avisa a outra, que cria ilusões, sonhos, histórias em sua mente e se deixa levar por um sentimento criado ao redor de alguém que usou seu coração irresponsável e levianamente. Mas a mulher estava lá, estática, esperando pelo pedido de namoro do homem, que não a escolheu, mas também não a avisou.
Não gosto desse tipo de relação, nem desse tipo de padrão.
Sou uma pessoa que gosta mais das coisas claras.
Preto no branco.
Letra no papel.
Verdade na boca e sinceridade no coração e na atitude.
Diálogo.


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